DICAS DE NUTRIÇÃO

<< +
NUTRIÇÃO /

BISFENOL A - Inimigo oculto



1-Quais os principais riscos da presença de Bisfenol A em plásticos comuns na rotina diária das crianças?

Em primeiro lugar é fundamental que os pais entendam que as crianças não têm maturidade fisiológica, para receber tantas substancias estranhas ao corpo humano, visto que o organismo das crianças ainda esta em desenvolvimento.  O Bisfenol A é fartamente encontrado nas embalagens de muitos produtos alimentares do nosso dia a dia. Elemento chave na fabricação de policarbonato e resinas epóxi, o bisfenol-A encontra-se nos plásticos que envolvem os alimentos, nas mamadeiras infantis, garrafas de água, no revestimento de latas de alimentos e bebidas entre outros. Os riscos são extensos e incluem alterações no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê (função da glândula tiróide e crescimento do cérebro); alterações no desenvolvimento cognitivo e comportamental (hiperatividade e agressividade). A percepção dessas alterações é notada a longo prazo, pois a contaminação é lenta e progressiva. A exposição das pessoas ao Bisfenol-A ocorre, principalmente, através dos alimentos e líquidos que são armazenados em embalagens com Bisfenol A, que também foi associado à obesidade, problemas cardíacos, diabetes, câncer, puberdade precoce e tardia, abortos, infertilidade e anormalidades no fígado.

2-No Brasil, ainda é comum que as mamadeiras apresentem esse composto?

Sim, infelizmente ainda é uma constante no Brasil, pois a discussão sobre o assunto só acontece entre os profissionais da área da saúde e passa despercebida pela maioria da população. A indústria utiliza o Bisfenol A por fornecer ao produto maior maleabilidade e resistência. Nos Estados Unidos já existe uma grande procura por mamadeiras com plásticos feitos sem bisfenol A. Parece que indústria Brasileira já esta produzindo mamadeiras livre de Bisfenol A.


3-Como os pais podem identificar mamadeiras e outros objetos plásticos que contenham a substância para evitar sua compra?  

O consumidor encontrará dificuldade para encontrar mamadeiras e outros produtos sem Bisfenol A, o mais seguro é conferir com o fabricante se o produto é livre de Bisfenol A.  No fundo das embalagens deve constar um aviso. A lista de produtos com Bisfenol é extensa ele esta presente em adesivos, cadeiras, brinquedos, CDs, copos infantis, eletrodomésticos, eletrônicos, embalagens para acondicionar alimentos e bebidas, escovas de dente, filtros de água, garrafas reutilizáveis de água, mamadeiras, peças automotivas, revestimento interno de latas e sacola de supermercado, entre outros produtos plásticos, resinas de epóxi, colas, selantes dentários. Para armazenar os alimentos o melhor é colocá-los em recipientes de vidro, o Bisfenol A migra para os alimentos mesmo sem aquecimento. Em relação às mamadeiras o mais seguro é evitar as que contenham o Bisfenol. Caso os pais não consigam comprar mamadeiras livres deste contaminante, não devem preparar a mamadeira com muita antecedência e nunca devem aquecê-la.

4-Existe algum nível seguro de aquecimento das mamadeiras e outros objetos para que eles não liberem os tóxicos do Bisfenol A? (Até tantos graus, por exemplo)

Não, o Bisfenol A é liberado mesmo sem o aquecimento do alimento armazenado e quando aquecido aumenta o nível  da  sua migração para o alimento. Quando o plástico é aquecido no micro-ondas a liberação é ainda maior, segundo um estudo da Faculdade de Saúde Pública de Harvard (EUA), que analisou a quantidade de bisfenol A por sete dias, na urina de 77 participantes que tomaram líquidos em garrafas plásticas. O aumento da concentração dessa substância chegou a 69%, considerado um nível alto. O ideal é não aquecer o alimento dentro de embalagens de plástico e utilizar potes de vidros resistentes a altas temperaturas.

5- As meninas e mulheres estão mais suscetíveis aos problemas que o Bisfenol A  pode causar? Em essência, ele atinge o aparelho reprodutivo?

Existem varias linhas de pesquisa que sugerem que o Bisfenol A é maléfico para homens e mulheres podendo comprometer tanto o aparelho reprodutor do homem quanto o da mulher, ele é um conhecido interferente no desenvolvimento do sistema reprodutivo, pois tem similaridade com o hormônio feminino e da tireóide, e ao entrar em contato com o organismo humano interfere no sistema endócrino, por interação com os receptores desses hormônios, trazendo danos irreversíveis à saúde.  Alguns estudos demonstraram que ele poderia provocar câncer, influenciar na má formação dos órgãos masculinos do feto e ser um dos responsáveis pela puberdade precoce em meninas. As pesquisas indicam que o risco seria maior em crianças por serem mais frágeis e durante a  vida intra-uterina. Por este motivo o bisfenol A foi banido no Canadá, na França, Dinamarca e na Costa Rica. Uma pesquisa publicada na National Institute of Environmental Health Sciences, demonstrou que ratas jovens expostas ao bisfenol A desenvolvem sintomas semelhantes à síndrome do ovário policístico. De acordo com as evidências, a exposição de fetos e bebês ao Bisfenol A  pode causar sintomas ovário policístico na fase adulta. O Ovário policístico é uma síndrome que atingi  6% das mulheres no mundo. É o mais comum distúrbio hormonal em jovens e também uma das maiores causas de infertilidade. Segundo pesquisadores das, University of Michigan, Harvard School of Public Health e Massachusetts General Hospital, o bisfenol-A pode afetar os níveis de hormônios em seres humanos de maneira semelhante às alterações, já comprovadas, em animais.   Outro estudo publicado na revista científica Environmental Science and Technology, dosou a concentração de bisfenol-A na urina de 167 homens recrutados através de uma clínica de infertilidade em Massachusetts e determinou os níveis de hormônio no sangue. Os pesquisadores descobriram que homens com maior taxa de bisfenol a  no sangue tinham também uma maior taxa de hormônio estimulante folicular e menores taxas de foliculina. Elevadas taxas de hormônio estimulante folicular e baixas taxas de foliculina já foram associadas a uma menor qualidade de esperma em humanos.

Conforme publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária a quantidade de Bisfenol A presente em mamadeiras (0,6 mg/Kg) não afeta a saúde. Em contrapartida, a Sociedade Brasileira de Pediatria aconselha a suspensão do uso alegando não haver níveis seguros. Como ainda não há um consenso a melhor conduta para os pais é evitar produtos com bisfenol A.


Dra.Luciana Harfenist | Nutricionista Funcional

  •  

CURSOS


MAIS CURSOS



Assine nossa newsletter

Cadastre-se para receber informações relevantes sobre eventos e cursos sobre Nutrição Funcional.

  |